David King Berlo

David King Berlo nasceu em 1929, estudou na Universidade de Illinois, foi aluno de Wilbur Schramm, em 1960 Berlo publicou o modelo teórico dos ingredientes da comunicação que retomava o modelo aristotélico e o de Shanon. O modelo aristotelico consistia em que fala (emissor), discurso (mensagem) e a audiência (receptor). A maioria dos atuais modelos de comunicação são similares aos de Aristóteles, embora um tanto mais complexos um dos modelos contemporâneos mais usados foi elaborado em 1947 pelo matemático Claude Shanon e pelo engenheiro eletricista Warren Weaver.
Shanon e Weaver nem mesmo tratavam de comunicação humana, trabalhavam no Bell Telephone Laboratory e falavam de comunicação eletrônica. Há outros modelos do processo de comunicação desenvolvidos por Schramm, Westley, Mcluhan e outros. A comparação mostra grande similaridade entre eles.
Diferem em parte na terminologia, em parte na adição ou subtração de um ou dois elementos, em parte nas diferenças de pontos de vista as disciplinas de que emergiram.

Modelo dos Ingredientes da comunicação de David K. Berlo.
Podemos dizer que toda a comunicação humana tem alguma fonte (primeiro ingrediente), uma pessoa ou um grupo e pessoas com um objetivo, uma razão para empenhar-se em comunicação. Estabelecida uma origem, com ideias, necessidades, intenções, informações e um objetivo a comunica, torna-se necessário o segundo ingrediente. O objetivo da fonte tem de ser expresso em forma de mensagem. Na comunicação humana, a mensagem existe em forma física, a tradução de ideias, objetivos e intenções num código, num conjunto sistemático de símbolos.
Mas, de que forma os objetivos da fonte são traduzidos num código, numa linguagem? Isto requer o terceiro ingrediente: o codificador, responsável por pegar as idéias da fonte e pô-las num código, exprimindo o objetivo da fonte em forma mensagem. Na comunicação de pessoa para pessoa, a função codificadora é executada pelas habilidades da fonte, seu mecanismo vocal (que produz a palavra oral, gritos, notas musicais, etc.), o sistema muscular da mão (que produz a palavra escrita, desenhos, etc.), os sistemas musculares de outras partes do corpo (que produzem os gestos da face e dos braços, a postura, etc.).
Quando falamos sobre situações de comunicação mais complexas, é comum separarmos a fonte. Por exemplo: podemos considerar um gerente de vendas como fonte e os vendedores como codificadores, pessoas que produzem mensagens para o consumidor traduzindo as intenções ou objetivos do gerente.

Por ora, restringiremos o nosso modelo ao mínimo de complexidade. Temos a fonte de comunicação com um objetivo, e o codificador que traduz ou exprime este objetivo em forma de mensagem. Estamos prontos para o quarto ingrediente, o canal.
Podemos considerar os canais de varias maneiras. A teoria da comunicação apresenta pelo menos três significados para a palavra “canal”. Por ora, basta dizer que o canal é o intermediário, o condutor de mensagens. É certo dizer que as mensagens podem existir apenas em algum canal; entretanto, a escolha dos canais é muitas vezes fator importante na efetividade da comunicação.
Introduzimos já a fonte, o codificador, a mensagem e o canal se pararmos aqui, nenhuma comunicação terá ocorrido, pois para haver comunicação deve haver alguém na outra ponta do canal. Se temos um objetivo e codificamos a mensagem e a colocamos neste ou naquele canal, teremos feito apenas parte do trabalho. Se falamos alguém deve ouvir; quando escrevemos, alguém deve ler. A pessoa na outra extremidade do canal pode ser chamada de recebedor da comunicação, o alvo da comunicação.
As fontes e os recebedores de comunicação devem ser sistemas similares. Se não o forem, não pode haver comunicação. Podemos ir mais um passo além e dizer que a fonte e o recebedor podem ser (e o são, muitas vezes) a mesma pessoa; a fonte pode comunicar-se com ela própria, ouve o que ela mesma diz, lê o que ela mesmo escreve; ela pensa. Em termos psicológicos, a fonte pretende produzir um estimulo. O recebedor reage a esse estimulo se há comunicação; se não reagir é porque não houve comunicação.
Temos agora todos os ingredientes básicos da comunicação exceto um. Assim como a fonte precisa do codificador para traduzir os objetivos em forma de mensagem, para expressar seu objetivo num código, o recebedor precisa do decodificador para retraduzir, para decifrar a mensagem e pô-la em forma que possa usar. Dissemos que o decodificador como o conjunto de habilidades sensórias do recebedor. Em situações de comunicação de uma ou duas pessoas, o decodificador pode ser considerado como sendo os sentidos.
São estes, pois, os ingredientes que incluímos no estudo de um modelo do processo de comunicação:
a) A fonte da comunicação;
b) O codificador;
c) A mensagem;
d) O canal;
e) O decodificador;
f) O recebedor da comunicação.




Fonte:
BERLO. David K. O processo da comunicação: introdução à teoria e prática. Fundo de Cultura, Rio de Janeiro. 1972.


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